Você sabe por que está trabalhando?

Publicado em 3 de junho, 2026
Broadcast, headphones or woman confused with laptop in studio for script mistake, 404 error or stress. Radio host, content creation and black person with doubt for talk show planning and audio fail

Um relatório recente da Harvard Graduate School of Education trouxe um dado que merece atenção: 58% dos jovens adultos relatam pouca ou nenhuma sensação de propósito ou significado em suas vidas. O estudo, intitulado On Edge: Understanding and Preventing Young Adults’ Mental Health Challenges, aponta a ausência de propósito como o principal fator associado à ansiedade e à depressão nessa faixa etária.

É um número alto. E quando se olha para o mercado de trabalho, ele não surpreende. Quem está saindo de um curso de aprendizagem e entrando no mercado pela primeira vez costuma se deparar com uma lacuna que a formação técnica não preenche. Você aprende o que fazer. Aprende como fazer. Mas raramente alguém para discutir porque aquilo que você faz importa.

Essa pergunta, se não for respondida cedo, cobra um preço alto lá na frente. Propósito não é um conceito reservado para quem já tem uma carreira consolidada. Ele começa a ser construído nas primeiras experiências profissionais, nas escolhas que parecem pequenas, na forma como você se relaciona com o trabalho desde o início. O jovem aprendiz que percebe, num atendimento, que tem facilidade para resolver problemas com calma. A estudante que entrega uma atividade com cuidado porque entende que aquilo representa o que ela é. O profissional iniciante que busca compreender o impacto do que faz além da própria tarefa. Essas percepções constroem identidade profissional. E identidade profissional é o que diferencia quem apenas ocupa um cargo de quem se destaca nele.

O que acontece quando o trabalho perde sentido

Profissionais que não encontram significado no que fazem tendem a apresentar menor engajamento, menor produtividade e maior rotatividade. Não é uma questão de geração ou de falta de comprometimento. É uma questão de gestão e de cultura organizacional. Quando o trabalho se resume a cumprir tarefas sem conexão com um resultado maior, o profissional opera no automático. E operar no automático, por tempo suficiente, leva ao desgaste e à desconexão com a própria carreira.

O debate sobre o futuro do trabalho passa, inevitavelmente, por isso. Não apenas por tecnologia ou novos modelos de contrato, mas pela qualidade das relações no ambiente de trabalho e pela capacidade das pessoas de enxergar sentido no que constroem.

Por onde começar

Não se trata de encontrar uma grande missão de vida antes de assinar a primeira carteira. Trata-se de desenvolver o hábito de observar o próprio trabalho com intenção.

Três perguntas que ajudam nesse exercício:

  1. O que eu faço bem que beneficia diretamente alguém?
  2. Que tipo de problema consigo resolver com mais facilidade do que a média?
  3. Em quais momentos do trabalho o tempo passa sem que eu perceba?

Essas respostas não chegam de uma vez. Chegam com experiência, com observação e com orientação adequada.

No Senac Carreiras, o trabalho de empregabilidade vai além da preparação para o primeiro emprego. Ele inclui ajudar estudantes e profissionais a construírem clareza sobre quem são, o que têm a oferecer e como comunicar isso com consistência ao mercado. Carreira se constrói com qualificação e técnica. Mas se sustenta com propósito. Qual dessas perguntas você ainda não parou para responder?

Compartilhe nos comentários que sua resposta pode ajudar alguém!

Paula Serafini é especialista em Desenvolvimento de Pessoas e Carreiras, coordenadora de Carreiras e Empregabilidade no Senac RN, mestra pela UFRN e autora.

 



Referências

MAKING CARING COMMON PROJECT. On Edge: Understanding and Preventing Young

Adults’ Mental Health Challenges. Cambridge: Harvard Graduate School of Education, 2025.

Disponível em: https://mcc.gse.harvard.edu. Acesso em: 03 jun. 2026.


Deseja receber informações sobre vagas?

Se inscreva na nossa newsletter e não perca nenhuma novidade!



    ;