Trabalho com propósito: o que faz sentido na sua Carreira?
por Lucélia Palhares
Carreiras & Empregabilidade Senac RN
Por muito tempo, o trabalho foi visto como um caminho de crescimento, estabilidade e reconhecimento e, para muitos, ele continua sendo. Ao mesmo tempo, novas perguntas passaram a ganhar espaço na vida profissional. Em meio a rotinas cada vez mais intensas, cresce o desejo de entender se a carreira escolhida acompanha quem a pessoa se tornou ao longo do tempo. É nesse contexto que surge uma reflexão poderosa: como continuar evoluindo profissionalmente sem se desconectar dos próprios valores?
Falar de trabalho com propósito não é romantizar a vida profissional nem ignorar boletos. É reconhecer que passamos boa parte da nossa existência trabalhando e que esse tempo precisa, fazer sentido. Propósito não é um cargo, uma empresa “perfeita” ou uma missão grandiosa. Ele nasce do alinhamento entre quem você é, o que você faz e o impacto que gera no mundo ao seu redor.
Segunda uma pesquisa da Deloiite (2024), seis em cada dez trabalhadores da geração Z e mais da metade dos millenials afirmam que só permanecem em empresas que compartilham seus valores. Já um levantamento da McKinsey (2024) aponta que sete em cada dez pessoas consideram o trabalho parte importante de sua identidade, mas 40% sentem que sua organização cria condições para exercer o trabalho com propósito. Esses números mostram que a busca por sentido se tornou um fator concreto na gestão de pessoas e na retenção de talentos.
Diante desse cenário, cabe ressaltar que a geração Z tem ocupado um lugar central nessas discussões sobre trabalho com propósito, não apenas pelo recorte de idade, mas pelo tipo de expectativa que leva para dentro das organizações. Muitos desses jovens cresceram em um contexto de crise climática, avanços tecnológicos rápidos e debates sobre diversidade, o que reforçou a importância de coerência entre discurso e prática nas empresas. Levantamentos recentes mostram que grande parte da geração Z considera fatores como alinhamento de valores, impacto social e bem-estar tão importantes quanto salário e benefícios ao decidir onde trabalhar ou permanecer. Isso faz com que sejam vistos como um termômetro das mudanças culturais no mundo do trabalho, pressionando lideranças e instituições a repensar modelos de gestão, cultura organizacional e propostas de desenvolvimento de carreira.
Na prática, esse alinhamento começa pelo autoconhecimento. Quais valores são inegociáveis para você? Autonomia, aprendizado contínuo, justiça social, segurança, criatividade? Pessoas que conseguem expressar seus valores no trabalho apresentam níveis mais altos de engajamento e bem-estar. Não por acaso, o Simon Sinek, em “Comece pelo Porquê” (2009), reforça que entender o “porquê” sustenta decisões mais conscientes e duradouras.
Um exemplo simples: Duas pessoas podem ocupar o mesmo cargo, mas viver experiências completamente diferentes. Uma encontra propósito ao usar suas habilidades para desenvolver pessoas; outra, ao resolver problemas complexos. O trabalho é o mesmo, o significado não. Há também quem encontre impacto positivo em pequenos gestos, como melhorar processos, criar ambientes mais humanos ou facilitar o dia a dia de outras pessoas. Propósito não precisa mudar o mundo inteiro; às vezes, basta melhorar o mundo de alguém.
Alinhar carreira e propósito também envolve escolhas práticas. Avaliar se a cultura da empresa respeita seus valores, buscar projetos paralelos que expressem quem você é, investir em aprendizado ou até redesenhar sua atuação dentro da função atual. Nem sempre é sobre mudar tudo, mas sobre ajustar a rota.
Uma história que ilustra bem como propósito e coragem caminha juntos na construção de uma carreira, é a minha. Recentemente tomei a decisão de pedir demissão de um cargo de assistente no Senai, com valores salariais bastante próximos ao do Senac Carreiras como analista, sabendo que ainda passarei pelo período de desafios e que o resultado depende de muitos esforços. Mesmo assim, escolhi arriscar porque enxerguei o sentido nas minhas atividades e atribuições no Senac, em um trabalho que transforma vidas por meio da educação profissional e oferece perspectivas de crescimento.
Essa escolha revela uma coragem importante: a de sair de um lugar conhecido, ainda que estável, para apostar em um caminho mais alinhado com seus valores e com o impacto que deseja gerar. Mudar de contexto profissional nem sempre é confortável, mas, em muitos casos, é esse movimento que aproxima a trajetória de uma sensação real de propósito.
No fim das contas, trabalhar com propósito é um exercício contínuo, não um destino final. É se permitir revisar escolhas, escutar desconfortos e fazer perguntas honestas. Se o futuro está em construção, a pergunta que fica é: Qual impacto você quer deixar enquanto constrói o seu caminho? Comece pequeno, mas comece consciente.
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Referências:
Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, 14(2), abr-jun 2014, pp . 230-244 ISSN 1984-6657 • http://submission-pepsic.scielo.br/index.php/rpot/index
Deloitte. (2024). Deloitte’s 2024 Gen Z and Millennial Survey. Deloitte Global.
Deloitte. (2024). 2024 Gen Z and Millennial Survey: Living and working with purpose in a transforming world (Relatório). Deloitte Global.
McKinsey & Company. (2021). Help your employees find purpose or watch them leave. McKinsey Insights.