Do medo a ação: como se manter relevante no mercado de trabalho em 2026
por Paula Serafini
Carreiras & Empregabilidade
Começar um novo ano com a expectativa de conquistar um emprego ou reposicionar a carreira é uma realidade para muitos profissionais no Rio Grande do Norte e em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, é comum que esse desejo venha acompanhado de medo, insegurança e dúvidas sobre por onde começar. A entrevista de emprego, em especial, costuma ser percebida como um momento decisivo e, por isso, gera ansiedade. Uma mensagem relevante é que o medo é natural, mas não pode ser um fator que te paralise, ele pode ser enfrentado com preparação, autoconhecimento e atualização constante em relação às novas exigências do mercado de trabalho.
Em 2026, o cenário profissional é marcado por um forte avanço das tecnologias, especialmente da inteligência artificial, ao mesmo tempo em que as empresas reforçam sua atenção ao pilar pessoas. Em vez de buscarem apenas um “currículo perfeito”, as organizações valorizam profissionais que aprendem continuamente, lidam bem com mudanças, utilizam ferramentas digitais com responsabilidade e conseguem conectar suas experiências a resultados concretos. Nesse contexto, o Senac RN se posiciona como parceiro estratégico na formação de pessoas que desejam não apenas conquistar uma vaga, mas construir uma trajetória de carreira sustentável, alinhada aos seus objetivos e ao futuro do trabalho.
O medo da entrevista é normal, mas não deve controlar suas escolhas
Sentir medo ou ansiedade diante de uma entrevista de emprego é muito comum. Medo de ser avaliado, de não saber responder, de “travar” na hora, de não corresponder às expectativas ou até de descobrir que aquela vaga não combina com quem você é. No entanto, há uma diferença importante entre sentir medo e deixar que ele impeça você de agir. O ponto de virada está justamente na preparação: quando você se organiza, estuda e treina, o medo deixa de ser um bloqueio e passa a ser energia para se preparar melhor.
Transformar o medo em motivação significa reconhecer que a entrevista não é um “interrogatório”, mas uma oportunidade de encontro entre duas partes: você, que busca um espaço para crescer, e a empresa, que busca alguém que possa contribuir com seus objetivos. Isso muda a perspectiva. Em vez de se ver apenas como alguém “sendo avaliado”, você passa a se perceber também como alguém que está avaliando se aquela vaga, aquela cultura organizacional e aquele time fazem sentido para a sua história profissional. Essa postura mais ativa e consciente torna suas respostas mais autênticas e reduz a sensação de que você precisa “agradar a qualquer custo”. Você está ali para contar uma história.
Além disso, preparar-se para uma entrevista é um exercício de autoconhecimento. Ao organizar sua trajetória, revisar suas experiências e pensar nos resultados que já alcançou, você fortalece sua confiança. Quando chega o momento da conversa com o recrutador, você não está apenas repetindo frases decoradas, mas falando sobre aquilo que viveu, aprendeu e deseja construir. Isso torna sua comunicação mais segura, coerente e convincente, mesmo que o frio na barriga ainda esteja presente.
Cinco passos essenciais para se preparar antes da entrevista
Para transformar esse medo em ação, a preparação estruturada é um dos maiores diferenciais. A seguir, um framework com cinco passos vai ajudar você a organizar esse processo que aumenta sua chance de se destacar em 2026.
- Estude a empresa e a cultura organizacional
Um dos erros mais comuns é chegar à entrevista sem conhecer a empresa. Em um mercado cada vez mais competitivo, pesquisar a organização não é um detalhe, mas um requisito básico. Isso envolve ir além do site institucional e das redes sociais, buscando entender:
- Qual é a missão, a visão e os valores da empresa;
- Em que setor ela atua e quais são seus principais produtos ou serviços;
- Quais projetos recentes se destacaram;
- Como ela se posiciona em relação a temas como inovação, diversidade, pessoas e sustentabilidade.
Quando você demonstra esse conhecimento na entrevista, passa uma mensagem poderosa: você não está apenas “atrás de qualquer vaga”, mas verdadeiramente interessado em fazer parte daquele contexto. Isso também ajuda a personalizar suas respostas, conectando suas experiências à realidade da empresa.
- Conheça a vaga em profundidade
Tão importante quanto conhecer a organização é compreender o que aquela função exige. Leia atentamente a descrição da vaga e identifique:
- Principais responsabilidades do cargo;
- Competências técnicas necessárias;
- Habilidades comportamentais (soft skills) esperadas;
- Indicadores de resultado típicos para aquela função.
A partir daí, reflita sobre sua trajetória: em quais experiências anteriores você já realizou atividades semelhantes? Que resultados alcançou? Que aprendizados obteve? Ao fazer esse exercício, você constrói um repertório de exemplos concretos para compartilhar na entrevista, conectando o que você já fez ao que a vaga pede.
- Estruture seu roteiro pessoal
Muitas pessoas se sentem inseguras porque não sabem “por onde começar” quando o recrutador diz “fale sobre você”. Ter clareza da sua história profissional é fundamental. Você pode organizar um pequeno roteiro, que inclua:
- Um breve resumo da sua formação;
- Principais experiências profissionais (com foco no que é relevante para a vaga);
- Projetos ou conquistas de que você se orgulha;
- Competências que desenvolveu ao longo da trajetória;
- O que você busca para o futuro em termos de carreira.
Esse roteiro não deve ser decorado palavra por palavra, mas servir como um mapa para que você se sinta seguro ao falar de si. Quando você sabe o que é essencial destacar, a comunicação flui melhor, mesmo em situações de nervosismo.
- Treine as perguntas mais comuns
Embora cada entrevista tenha suas particularidades, algumas perguntas aparecem com muita frequência. Entre elas:
- “Fale sobre você.”
- “Quais são seus pontos fortes?”
- “Quais são seus pontos a desenvolver?”
- “Por que você quer trabalhar aqui?”
- “Por que deveríamos contratar você?”
- “Conte sobre um desafio profissional que você enfrentou e como lidou com ele.”
Treinar essas respostas em voz alta, de preferência em frente a um espelho ou com alguém de confiança, ajuda a ganhar naturalidade. O objetivo não é montar discursos prontos, mas organizar ideias. Ao se ouvir, você percebe se está sendo claro, se está indo direto ao ponto e se está conseguindo demonstrar a conexão entre sua trajetória e a vaga.
- Cuide da comunicação não verbal
Em uma entrevista, não é apenas o que você diz que importa, mas também como você diz. A comunicação não verbal inclui:
- Postura corporal (evitar ficar encolhido ou excessivamente rígido);
- Contato visual (equilibrado, sem encarar de forma intimidante);
- Expressões faciais (um semblante aberto, interessado);
- Tom de voz (clareza, ritmo adequado, projeção).
Esses elementos transmitem confiança, interesse e respeito. Mesmo em entrevistas on-line, detalhes como ambiente organizado, iluminação adequada e cuidado com a aparência passam profissionalismo. Lembre-se: a forma como você se apresenta comunica tanto quanto suas respostas.
Inteligência artificial e novas ferramentas: seu diferencial em 2026
Um dos pontos mais relevantes a ser destacado, para se manter relevante em 2026 é o uso da inteligência artificial (IA) como aliada, especialmente em processos seletivos. Ainda existe um mito de que admitir o uso de IA poderia “pegar mal” em uma entrevista, como se o candidato estivesse “trapaceando”. No entanto, quando utilizada de maneira ética e consciente, a IA se torna um forte diferencial competitivo.
Em um exemplo prático, uma candidata que utilizou IA para apoiar a construção de uma apresentação em um processo seletivo, mas negou isso quando questionada. O problema não estava na utilização da tecnologia, e sim na falta de transparência. Profissionais que admitem que utilizam ferramentas digitais para organizar ideias, estruturar projetos ou otimizar o tempo, explicando como revisam, adaptam e complementam o que essas ferramentas oferecem, mostram maturidade e senso crítico.
Em 2026, recrutadores e empresas valorizam justamente essa combinação: pessoas capazes de integrar tecnologia ao seu trabalho, sem abrir mão da análise humana, da criatividade e da responsabilidade. Dizer, por exemplo, que você utilizou uma ferramenta de IA para estruturar tópicos de uma apresentação, mas que revisou o conteúdo com base na cultura da empresa e nos seus próprios conhecimentos, é um sinal de que você é um profissional atualizado às novas tendências
Além disso, o uso de IA pode apoiar sua preparação para entrevistas de diversas formas:
- Pesquisar tendências do setor e atualizações da empresa;
- Organizar um plano de estudos para desenvolver habilidades técnicas;
- Simular perguntas de entrevistas e treinar respostas com a nossa Assistente Virtual Sofia (https://chatgpt.com/g/g-67cb196993b88191b8b374fb125b8d41-simulacao-entrevista-de-emprego-com-a-sofia);
- Estruturar apresentações e projetos-piloto (https://gamma.app/pt-br).
O ponto central é que a tecnologia não substitui o seu esforço e potencializa a sua capacidade de aprender, se organizar e entregar resultados com mais qualidade.
Gestão do tempo: a competência que diferencia profissionais
Outra competência importante para ser destacada é a gestão do tempo. Mais do que nunca, empresas buscam profissionais que consigam organizar sua rotina, priorizar tarefas e entregar com consistência. Não é por acaso que perguntas como “como você organiza o seu dia de trabalho?” ou “como lida com prazos e múltiplas demandas?” têm se tornado comuns em entrevistas.
Na prática, demonstrar boa gestão do tempo significa:
- Saber definir prioridades com base em urgência e importância;
- Planejar a semana com antecedência, distribuindo atividades de forma realista;
- Utilizar ferramentas (digitais ou analógicas) para acompanhar tarefas e prazos;
- Ter consciência dos próprios limites, sabendo negociar prazos quando necessário;
- Evitar acúmulo constante de atividades procrastinadas.
Ao se preparar para os processos seletivos, vale refletir: que métodos você já utiliza? Talvez você faça uso de agendas digitais, aplicativos de tarefas, blocos de tempo (time blocking) ou técnicas como Pomodoro. Ao mencionar esses recursos e, principalmente, os resultados que eles trazem para sua produtividade, você mostra ao entrevistador que não depende apenas de boa vontade, mas que tem método.
Falar de gestão de tempo na entrevista não é apenas citar nomes de técnicas, mas ilustrar com exemplos: um projeto que você conseguiu entregar antes do prazo porque se planejou bem; um período de alta demanda em que conseguiu organizar prioridades sem comprometer a qualidade; uma rotina de estudo que você estruturou para conciliar trabalho e qualificação profissional.
Transição de carreira: nunca é tarde para recalcular a rota
Eu costumo brincar com meus alunos que tenho sete empregos, mas que todos sempre se conectam com minha missão que é a educação, mas acredito que algumas vezes é preciso recalcular rota e trilhar novos caminhos na busca de novas oportunidades e com certeza não existe idade certa para mudar. Em um mundo em constante transformação, a ideia de passar a vida inteira em uma única função ou área vem sendo substituída pela noção de jornadas profissionais múltiplas, com fases, experimentações e reposicionamentos.
Muitas pessoas sentem vontade de mudar, mas se paralisam por pensamentos como “já estou velho para isso”, “não tenho mais tempo para recomeçar” ou “ninguém vai me contratar em outra área”. Porém, a experiência acumulada ao longo dos anos pode ser um grande diferencial. Profissionais mais maduros tendem a trazer consigo:
- Visão estratégica e sistêmica;
- Maior capacidade de lidar com conflitos;
- Aprendizados de erros e acertos passados;
- Rede de contatos construída ao longo da carreira;
- Autoconhecimento sobre seus pontos fortes e interesses.
Transição de carreira não significa jogar fora tudo o que você já construiu, mas ressignificar suas competências em um novo contexto. Por exemplo, alguém que vem da área comercial e deseja migrar para treinamento pode aproveitar sua experiência com clientes para atuar em capacitação de equipes. Alguém que atuou anos em administração pode migrar para gestão de projetos em outro segmento, aproveitando a base de organização, controle e planejamento.
O passo inicial é olhar com sinceridade para sua atual realidade: você sente que está estagnado? Não consegue mais crescer? Não se enxerga naquele lugar a longo prazo? Se as respostas forem positivas, talvez seja hora de considerar uma transição planejada. Pequenas ações, como buscar cursos na nova área, participar de eventos, conversar com profissionais que já atuam naquele segmento e assumir projetos pontuais, podem ser o começo de uma nova rota.
O que as empresas procuram em 2026: muito além da parte técnica ou um diploma
Embora conhecimentos técnicos continuem importantes, as pesquisas e as práticas de RH indicam que, em 2026, o grande diferencial está nas competências comportamentais (soft skills) e na capacidade de aprender continuamente. Entre as habilidades mais valorizadas, destacam-se:
- Comunicação clara e empática;
- Trabalho em equipe e colaboração;
- Adaptabilidade e abertura ao novo;
- Inteligência emocional;
- Pensamento crítico e resolução de problemas;
- Capacidade de aprender e desaprender com rapidez.
Reforço também que as empresas cada vez mais compreendem que não encontrarão profissionais “prontos”. Em vez disso, buscam pessoas com potencial, alinhadas à cultura organizacional, dispostas a se desenvolver. Isso muda a forma como você, candidato, pode se posicionar: é importante mostrar não apenas o que você já sabe, mas o quanto está disposto a continuar aprendendo.
Essa visão torna o papel da qualificação profissional ainda mais relevante. Cursos de atualização, formações técnicas, programas de curta duração e trilhas de aprendizagem são caminhos para demonstrar, na prática, que você está acompanhando as transformações do mercado. Ao se apresentar em uma entrevista, mostrar como você tem buscado se desenvolver e, como pretende continuar fazendo isso, pode ser tão significativo quanto listar seus certificados.
Seu plano de ação: o que você pode fazer ainda nesta semana
Para tornar toda essa reflexão em prática concreta, vale transformar essas ideias em um pequeno plano de ação pessoal. Algumas sugestões para os próximos dias:
- Identificar empresas em que você realmente se imagina trabalhando e pesquisar sobre elas;
- Revisar seu currículo, ajustando foco para o tipo de vaga que procura;
- Elaborar e treinar sua apresentação pessoal, em diferentes durações (30 segundos, 2 e 5 minutos);
- Mapear três experiências profissionais que exemplifiquem seus resultados e competências;
- Escolher uma técnica de gestão de tempo e aplicá-la na sua rotina;
- Explorar ferramentas de IA como apoio à organização de estudos, estruturação de projetos ou revisão de textos;
- Buscar um curso de qualificação em uma área estratégica para sua carreira;
- Registrar, ao final de cada dia, um pequeno aprendizado ou avanço em direção ao seu objetivo profissional.
Mais do que esperar por uma “grande oportunidade” futura, o convite é para que você reconheça que o futuro começa hoje, nas pequenas decisões que toma e nas ações que se dispõe a implementar.
O futuro começa agora e você pode se preparar
A mensagem central que quero deixar do cenário atual do mercado de trabalho é:
“Não existe uma idade perfeita, um momento ideal ou um caminho linear garantido. O que existe é a possibilidade permanente de recalcular rotas, aprender coisas novas, reposicionar sua carreira e se preparar com mais consciência para cada etapa, incluindo as entrevistas de emprego”.
Em 2026, ser um profissional relevante significa combinar três dimensões: autoconhecimento (saber quem você é e o que quer construir), atualização constante (estar atento às novas tecnologias, ferramentas e tendências) e atitude (transformar medo em ação, desejo em plano, plano em prática). A entrevista de emprego deixa de ser apenas um obstáculo e passa a ser um espaço de diálogo, no qual você apresenta sua história, demonstra seu potencial e avalia se aquela oportunidade faz sentido para o seu projeto de vida.
O Senac RN, por meio de seus cursos de qualificação, programas de desenvolvimento e conteúdos no Blog Senac Carreiras, está ao seu lado nessa jornada. Se o Futuro do Trabalho está em constante mudança, construir sua carreira também é um processo contínuo. E esse processo começa agora, com as escolhas que você faz hoje, com a forma como se prepara e com a decisão de não deixar o medo falar mais alto do que o seu potencial.
Referências
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Cidade, D. (2025, 24 agosto). Entrevista de emprego: 8 passos essenciais para se destacar. Academia do Universitário. https://www.academiadouniversitario.com.br/blog/entrevista-de-emprego-dicas
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Exame. (2025, 2 novembro). As 5 soft skills mais valorizadas pelo mercado e qual curso as desenvolve. Exame. https://exame.com/carreira/as-5-soft-skills-mais-valorizadas-pelo-mercado-e-qual-curso-as-desenvolve
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Rhmais Talentos. (2025, 18 maio). As 5 competências comportamentais que serão mais valorizadas no mercado de trabalho em 2026. Rhmais Talentos. https://rhmaistalentos.com.br/as-5-competencias-comportamentais-que-serao-mais-valorizadas-no-mercado-de-trabalho-em-2026
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Portal Pós. (2024, 13 novembro). Como se preparar para entrevistas de emprego em 2025. Portal Pós. https://blog.portalpos.com.br/entrevistas-emprego-2025