Os desafios da liderança: entre a firmeza, os rótulos e a inteligência emocional

Publicado em 23 de janeiro, 2026
por Karol Beniz

Diretora de Gente e Gestão, Mentora, Palestrante e Colunista de Carreira e Liderança.


Em algum momento da jornada, todo líder se depara com um dilema silencioso: se cobra, é visto como tóxico. Se dá feedback, é interpretado como grosso. Se não corrige a rota, passa a imagem de alguém “bonzinho demais”. Esse paradoxo resume bem um dos maiores desafios da liderança moderna. Nunca se falou tanto em empatia, escuta ativa e segurança psicológica — e isso é extremamente positivo. Mas, ao mesmo tempo, parece haver uma dificuldade crescente em lidar com a firmeza que o papel de liderança exige.

A verdade é simples, ainda que desconfortável: liderar nunca foi sobre agradar. Liderar é sobre assumir responsabilidade, tomar decisões e sustentar direcionamentos — mesmo quando eles não são populares.

A liderança exige equilíbrio, não extremos

Os times de hoje desejam autonomia, mas também precisam de clareza. Querem proximidade, mas esperam direcionamento. Buscam um ambiente humano, mas querem performar. Nesse contexto, o líder que atua nos extremos tende a falhar.

Daniel Goleman, no livro Liderança: a inteligência emocional na formação do líder de sucesso, reforça que os líderes mais eficazes não são aqueles que evitam conflitos, mas os que sabem gerenciar emoções — as próprias e as do outro — mesmo em contextos de tensão. Inteligência emocional não é ausência de cobrança; é a capacidade de conduzi-la com consciência, empatia e clareza.

Firmeza, portanto, não é dureza. É coerência. É sustentar padrões, expectativas e decisões de forma clara, consistente e respeitosa. É explicar o porquê, dar contexto e assumir a responsabilidade pelo caminho escolhido.

Quando a firmeza incomoda — e transforma

Na minha trajetória como Diretora de Gente e Gestão, vivi esse dilema na prática. Em determinado momento, foi necessário reorganizar processos que vinham gerando retrabalho, desperdício de recursos e impactos silenciosos na motivação do time. A decisão exigia mais controle, acompanhamento e feedbacks mais diretos.

Não foi uma mudança confortável. Mexia com hábitos antigos e zonas de conforto. Ao elevar o nível de exigência e correção de rota, surgiram percepções como:
“Ela está mais dura.”
“Está exigente demais.”

Com o tempo, os resultados se tornaram claros: mais eficiência, menos falhas, melhor uso dos recursos e um time mais consciente do impacto do próprio trabalho. A firmeza que incomodou no início foi a mesma que, depois, gerou maturidade e resultado.

Esse é um aprendizado central da liderança: nem toda decisão certa é bem recebida no curto prazo.

Estratégia, disciplina e inteligência emocional

Além da firmeza, a liderança exige estratégia. Estratégia é entender que conversas difíceis hoje evitam problemas maiores amanhã. É sair do modo reativo e assumir um papel construtivo.

A disciplina sustenta esse processo. Disciplina para manter rituais, fazer follow-up, corrigir desvios e não normalizar comportamentos que comprometem o coletivo. Cada vez que o líder deixa de agir, ele comunica — ainda que silenciosamente — que aquele padrão é aceitável.

É justamente essa reflexão que tenho aprofundado no Lidera, espaço que conduzo na Jovem Pan News Natal, onde discutimos liderança, carreira e desenvolvimento humano a partir da realidade das organizações. A liderança real acontece longe dos discursos perfeitos e perto das decisões difíceis do dia a dia.

Ser amado ou ser respeitado?

Em algum momento, todo líder precisa encarar essa pergunta. A busca excessiva por aprovação costuma levar à omissão. Já o respeito nasce da clareza, da coerência e da previsibilidade das decisões.

Goleman destaca que líderes emocionalmente inteligentes constroem confiança porque sabem equilibrar empatia com direção. Eles não evitam o desconforto — eles o conduzem.

A liderança da nova era não é sobre escolher entre empatia ou resultado, entre proximidade ou firmeza. É sobre integrar tudo isso com consciência, responsabilidade e inteligência emocional.

Cobrar não é ser tóxico quando existe propósito.
Dar feedback não é ser grosseiro quando existe intenção de desenvolvimento.
Corrigir a rota não é ser duro — é ser comprometido com o crescimento das pessoas e do negócio.

No fim, liderar é ter coragem para sustentar conversas difíceis, tomar decisões impopulares e construir caminhos que geram impacto real.

Porque ocupar um cargo é diferente de exercer, de fato, a liderança.


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